sexta-feira, 26 de setembro de 2008
pistas para descaminhos
(trans)incitar, cruzar fronteiras
dissolver os pés na água do mar
pegar de vento à sombra das horas
(palavras intermináveis coladas umas às outras)
propor novos deslocamentos
com ombros estáveis, com mãos disponíveis
sob o ângulo dos remotos incontroláveis
(pistas para longos descaminhos)
desestruturar o uniforme
conter o quase-vazio diante de si mesmo
respirar o contato mútuo das retinas
domingo, 13 de janeiro de 2008
cidade-duna
lugar de trânsito
velhos novos amigos
sabores e aromas
memória imaterial das coisas
lugar de encontros
ponto retorno guia
abraços e sorrisos
espaço interior de re-construções
lugar de ventania
trilhas luzes móveis
perigo e paz
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
intervalo
espaço morto-vivo
pequenas alucinações
pensamentos pecaminosos
uma bomba sob a língua
desejo incontrolável de
não há porque chorar debaixo da cama
porta entreaberta
maçaneta gelada e úmida
cheiro de alfazema
um buquet de rosas no chão
desejo incontrolável de
não há porque engolir seco o grito
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
o homem e a cidade
o movimento interno das vísceras e dos sentidos
desfila no meio-fio que separa o passeio da rua
nas extremidades o homem e seus princípios desentendem-se
carne e asfalto são paralelas que se cruzarão no (in)finito
meias de lã e gravatas misturam-se a colchonetes sem abrigo
não há provimento possível para a desesperança
o silêncio dos passos cruza o barulho constante
rumo ao verso anti-penúltimo do poema
no instante anterior ao fim: cai o corpo entrelaçado ao chão
o personagem morre preso à própria alma
o organismo disfunciona as partes
a cidade vomita o homem e o devora
terça-feira, 15 de maio de 2007
descomeços

lugar de descomeços
estrada de ferro solitária
onde caminhava o bonde da década
(micro espaços-fagulhas
penetram pés e dedos)
lugar de descomeços
escada de poucos degraus
à parede de tijolos sem abertura
(pés e dedos descaminham rotas
soluções diárias para o infinito)
lugar de descomeços
arquivo de carta de amor digitada
pasta de material não entregue
(passagem de ida)
estrada de ferro solitária
onde caminhava o bonde da década
(micro espaços-fagulhas
penetram pés e dedos)
lugar de descomeços
escada de poucos degraus
à parede de tijolos sem abertura
(pés e dedos descaminham rotas
soluções diárias para o infinito)
lugar de descomeços
arquivo de carta de amor digitada
pasta de material não entregue
(passagem de ida)
quarta-feira, 21 de março de 2007
espaços cascos dobram a ponte
sopra um vento vazio
algumas folhas
canetas
(tento dizer-te palavras sóbrias)
muitas nuvens derretem homens
gritam gentilezas falsas
alguns abraços
beijos
(tento abrir um furo na caixa)
camundongos esperneiam possibilidades de esgoto
possibilidades
de esgoto
(não há caixa)
sopra um vento vazio
algumas folhas
canetas
(tento dizer-te palavras sóbrias)
muitas nuvens derretem homens
gritam gentilezas falsas
alguns abraços
beijos
(tento abrir um furo na caixa)
camundongos esperneiam possibilidades de esgoto
possibilidades
de esgoto
(não há caixa)
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
vôo rasante
I
cidade - varanda
câmera lenta onda
espigões de lua cheia
forno solar, encontros
riomar aberto a abraços
mundo de ponta cabeça
amigos & estilhaços
beijos trocados
passado inteiro
fraturas no cais
II
papai noel existe?
perguntas tolas rolam
escadaria abaixo
sonhos de porcelana
quebrados, cacos
na mão direita
III
a criança corre para o nada
para o desconhecido, joga-se
a criança varando a madrugada
luzes refletem sua sombra no asfalto
o centro é a periferia
ruínas que constroem a passagem
nebulosas desgovernadas se chocam
nascem elefantes brancos
que procriam minotauros
é preciso matar o monstro
mas é o monstro o que a criança cria
cidade - varanda
câmera lenta onda
espigões de lua cheia
forno solar, encontros
riomar aberto a abraços
mundo de ponta cabeça
amigos & estilhaços
beijos trocados
passado inteiro
fraturas no cais
II
papai noel existe?
perguntas tolas rolam
escadaria abaixo
sonhos de porcelana
quebrados, cacos
na mão direita
III
a criança corre para o nada
para o desconhecido, joga-se
a criança varando a madrugada
luzes refletem sua sombra no asfalto
o centro é a periferia
ruínas que constroem a passagem
nebulosas desgovernadas se chocam
nascem elefantes brancos
que procriam minotauros
é preciso matar o monstro
mas é o monstro o que a criança cria
Assinar:
Postagens (Atom)

