movimento agudo
ponti - agudo
de um lugar a outro
(es)paço que atravessa
ex- futuro penetrado
(lançado o olhar ao mar lançado)
âncora de bilhetinhos
memória ex- posta
aos lençois
emfarraposcotidianos
içados e outra vez
e outra vez e outra vez e outra vez
(lançados ao mar lançado)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
uma proposta para trilha de imersão
roteiro de passos,
um após outro,
percorrendo trilhas urbanas
multidão de formigas apressadas subindo e descendo, subindo e descendo, rolando escadas abaixo e acima, entrando e saindo de portas automáticas. seis da tarde, são paulo, estação da sé. as formigas andam em rebanho para dentro e para fora, correndo atrás de.
mapas distribuídos pela cidade informam a necessidade de se saber onde, e para onde.
olhares semi-vivos se cruzam apressados.
cada um é um si só a procurar um silêncio qualquer.
subterfúgio da agonia urbanóide esquizofrênica: o tempo não pára.
a voz anuncia o lugar do humano na cartografia, e não na climatologia:
“próxima estação...”
casacos nos abrigam do frio, da rispidez cotidiana, da exposição do corpo, do toque alheio. casacos e guarda-chuvas são proteções (des)necessárias à sobrevivência de um ser nu, recém-nascido para o rebanho de formigas.
é preciso demarcar lugares, traçar rotas de imersão, permitir sensações orgânicas de espasmo, afronhar-se no outro e respirar algo mais que a quota de poluição gratuita.
é preciso propor desmanches de palavras duras, de expressões ensimesmadas.
é preciso provocar afecto e permitir ser afectado para amassar o concreto e o cinza das estruturas.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
pistas para descaminhos
(trans)incitar, cruzar fronteiras
dissolver os pés na água do mar
pegar de vento à sombra das horas
(palavras intermináveis coladas umas às outras)
propor novos deslocamentos
com ombros estáveis, com mãos disponíveis
sob o ângulo dos remotos incontroláveis
(pistas para longos descaminhos)
desestruturar o uniforme
conter o quase-vazio diante de si mesmo
respirar o contato mútuo das retinas
domingo, 13 de janeiro de 2008
cidade-duna
lugar de trânsito
velhos novos amigos
sabores e aromas
memória imaterial das coisas
lugar de encontros
ponto retorno guia
abraços e sorrisos
espaço interior de re-construções
lugar de ventania
trilhas luzes móveis
perigo e paz
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
intervalo
espaço morto-vivo
pequenas alucinações
pensamentos pecaminosos
uma bomba sob a língua
desejo incontrolável de
não há porque chorar debaixo da cama
porta entreaberta
maçaneta gelada e úmida
cheiro de alfazema
um buquet de rosas no chão
desejo incontrolável de
não há porque engolir seco o grito
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
o homem e a cidade
o movimento interno das vísceras e dos sentidos
desfila no meio-fio que separa o passeio da rua
nas extremidades o homem e seus princípios desentendem-se
carne e asfalto são paralelas que se cruzarão no (in)finito
meias de lã e gravatas misturam-se a colchonetes sem abrigo
não há provimento possível para a desesperança
o silêncio dos passos cruza o barulho constante
rumo ao verso anti-penúltimo do poema
no instante anterior ao fim: cai o corpo entrelaçado ao chão
o personagem morre preso à própria alma
o organismo disfunciona as partes
a cidade vomita o homem e o devora
terça-feira, 15 de maio de 2007
descomeços

lugar de descomeços
estrada de ferro solitária
onde caminhava o bonde da década
(micro espaços-fagulhas
penetram pés e dedos)
lugar de descomeços
escada de poucos degraus
à parede de tijolos sem abertura
(pés e dedos descaminham rotas
soluções diárias para o infinito)
lugar de descomeços
arquivo de carta de amor digitada
pasta de material não entregue
(passagem de ida)
estrada de ferro solitária
onde caminhava o bonde da década
(micro espaços-fagulhas
penetram pés e dedos)
lugar de descomeços
escada de poucos degraus
à parede de tijolos sem abertura
(pés e dedos descaminham rotas
soluções diárias para o infinito)
lugar de descomeços
arquivo de carta de amor digitada
pasta de material não entregue
(passagem de ida)
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